De acordo com a teoria do egoísmo
psicológico, as pessoas agem sempre apenas em função do seu interesse
pessoal. Segundo a teoria do egoísmo ético, as pessoas devem agir sempre
apenas em função do seu interesse pessoal. Enquanto que o egoísmo psicológico é
uma teoria puramente descritiva sobre o comportamento humano, o egoísmo
ético é uma teoria normativa.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
A POSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO
Será que sabemos o que
julgamos saber? Muitas vezes descobrimos que uma coisa que pensávamos que sabíamos
afinal era uma ilusão ou um engano nosso. Por exemplo, pensávamos que eram
cinco horas da tarde quando afinal já eram seis e meia. Como poderemos então
distinguir o que sabemos realmente do que apenas pensamos – erradamente – que
sabemos? Para mostrar que uma crença, além de verdadeira, é realmente
conhecimento, é necessário mostrar que essa crença está justificada. E este é o
problema da possibilidade do conhecimento. Será possível justificar as crenças
que pensamos que constituem conhecimento?
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
O RELATIVISMO CULTURAL
O meu nome é Ana Relativista. Aderi ao
relativismo cultural ao compreender a profunda base cultural que suporta a
moralidade.
Fui educada para acreditar que a moral
se refere a factos objetivos. Tal como a neve é branca, também o infanticídio é
um mal. Mas as atitudes variam em função do espaço e do tempo. As normas que
aprendi são as normas da minha própria sociedade; outras sociedades possuem
diferentes normas. A moral é uma construção social. Tal como as sociedades
criam diversos estilos culinários e de vestuário, também criam códigos morais
distintos. Aprendi-o ao estudar antropologia e vivi-o no México quando estive
lá a estudar.
Considere a minha crença de que o
infanticídio é um mal. Ensinaram-me isto como se se tratasse de um padrão objetivo.
Mas não é; é apenas aquilo que defende a sociedade a que pertenço. Quando
afirmo "O infanticídio é um mal" quero dizer que a minha sociedade
desaprova essa prática e nada mais. Para os antigos romanos, por exemplo, o
infanticídio era um bem. Não tem sentido perguntar qual das perspetivas é
"correta". Cada um dos pontos de vista é relativo à sua cultura, e o
nosso é relativo à nossa. Não existem verdades objetivas acerca do bem ou do
mal. Quando dizemos o contrário, limitamo-nos a impor a nossas atitudes
culturalmente adquiridas como se se tratassem de "verdades objetivas".
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
CONHECIMENTO A PRIORI
O conhecimento a posteriori e a priori são modalidades epistémicas. Uma proposição é conhecível a priori se, e só se, pode ser conhecida
sem o concurso da experiência empírica. Assim, 2 + 2 = 4 é uma proposição
conhecível a priori porque posso conhecê-la recorrendo unicamente ao
pensamento. Mas para saber que a água é H2O tenho de me socorrer da
experiência empírica – não posso fazê-lo recorrendo unicamente ao pensamento.
Dada a definição de analiticidade, é fácil perceber que todas as frases
analíticas exprime proposições conhecíveis a priori. Pois se para saber o valor
de verdade de uma frase analítica basta reflectir sobre o significado das
palavras e a sintaxe da frase, isso significa que não é necessário recorrer à
experiência empírica para identificar como verdadeira a proposição expressa.
sábado, 5 de janeiro de 2013
CONHECIMENTO
O leitor tem várias crenças. Mas quais das suas
crenças é conhecimento, se é que alguma o é?
O que é o conhecimento?
O conhecimento não é mera crença. Se o leitor
acreditar e afirmar que sabe algo e alguém acreditar e afirmar que sabe o
oposto, então pelo menos um de vós tem de estar enganado. Quando duas pessoas
acreditam em coisas contraditórias não podem ambas saber aquilo que
afirmam saber. Pois uma das duas crenças tem de ser falsa. Acreditar meramente
em algo, não importa quão ardentemente, não faz disso uma verdade. Para que se
saiba algo, não temos somente de acreditar nisso; isso também tem de ser
verdade. Mas será isto tudo o que é requerido? É o conhecimento mera crença
verdadeira?
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
ÉTICA E SUBJETIVISMO
Chamo-me Ana Subjetivista; mas, dado a
minha colega também se chamar "Ana", habitualmente tratam-me por
"Sub". Adotei o subjetivismo ao compreender que a moral é
profundamente emocional e pessoal.
O ano passado frequentei com alguns
amigos um curso de antropologia. Acabámos por aceitar o relativismo cultural –
a perspetiva de que o bem e o mal são relativos a cada cultura, que
"bem" significa "socialmente aprovado". Mais tarde,
descobri que o relativismo cultural enfrenta um problema, nomeadamente o de nos
negar a liberdade para formarmos os nossos próprios juízos morais. Sucede que a
liberdade moral é algo a que atribuo muita importância.
O relativismo cultural obriga-me a
aceitar todos os valores da sociedade. Admitamos que descobri que a maior parte
das pessoas aprova ações racistas; terei então de concluir que o racismo é um
bem. Estaria a contradizer-me se dissesse "O racismo é socialmente
aprovado embora não seja um bem". Como o relativismo cultural impõe as
respostas do exterior, negando a liberdade de pensamento em questões morais,
passei a considerá-lo repulsivo.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
QUEM PRECISA DA ÉTICA?
Porque é que não basta seguirmos os nossos
sentimentos, ou “seguir o instinto”, quando pensamos no que deveríamos fazer,
ou como deveríamos viver?
Os sentimentos são essenciais, como é
evidente. Uma vida sem amor, agitação e até mesmo dor não é vida. Nenhuma ética
em consonância com a vida é capaz de o negar. Só que os sentimentos não são
tudo. Podem ser o começo, mas não são o fim. Também deve haver um cerro tipo de
pensamento.
Vejamos o caso do preconceito. Ser preconceituoso
é ter um forte sentimento negativo em relação a alguém pertencente a uma
diferente etnia, sexo, idade, classe social, etc. Se a ética fosse apenas uma
questão de sentimentos, nada haveria a dizer contra tais preconceito. Seria
perfeitamente moral discriminar pessoas das quais não gostássemos.
O instinto diz que sim. A ética diz que não.
Em contrapartida, a ética pode desafiar estes mesmos sentimentos. “Preconceito”
quer literalmente dizer “pré-conceito”: é uma forma de não prestar realmente
atenção. Mas é preciso prestar atenção. É preciso perguntarmo-nos porque é que
nos sentimos de determinada maneira, se as nossas convicções e sentimentos são
verdadeiros ou justos, como nos sentiríamos na pele de outra pessoa, e assim
por diante. Em resumo, precisamos de nos perguntar se os nossos sentimentos se
justificam e, quando não, que sentimentos alternativos os deveriam substituir.
Assim, a ética pede para pensarmos
cuidadosamente, até mesmo sobre sentimentos que podem ser muito fortes. A ética
pede para vivermos atentamente: preocuparmo-nos com o modo como agimos e até
mesmo como sentimos.
WESTON, Anthony, Ética para o dia-a-dia, 1ª
edição, Lisboa, Ésquilo, 2002, pp. 15-16
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
LIVRE-ARBÍTRIO
Supõe que
estás na bicha de uma cantina e que, quando chegas às sobremesas, hesitas entre
um pêssego e uma grande fatia de bolo de chocolate com uma cremosa cobertura de
natas. Escolhes o bolo.
No dia
seguinte perguntas-te: “Podia ter comido antes o pêssego” Que quer dizer isto?
E será verdade?
Havia pêssegos
quando estavas na bicha da cantina: e tiveste oportunidade de ter tirado antes
um pêssego. Mas não é apenas isso que queres dizer. Queres dizer que podias ter
tirado o pêssego em vez do bolo. Podias ter feito algo diferente daquilo que
realmente fizeste. Antes de te teres decidido, estava em aberto se havias de
tirar fruta ou bolo, e foi apenas a tua escolha que decidiu qual dos dois
havias de comer.
Quando afirmas “podia ter comido
antes o pêssego”, queres dizer que isso dependia apenas da tua escolha?
Mas isto ainda
não parece suficiente: Não queres apenas dizer que, se tivesses escolhido o
pêssego, teria sido isso que terias comido. Quando dizes “podia ter comido
antes o pêssego”, também queres dizer que podias tê-lo escolhido – não há aqui
ses nenhuns. Mas que quer isto dizer?
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
O QUE É UMA AÇÃO?
Um bom modo para começar a
nossa investigação acerca da natureza da acção é a partir da questão levantada
por Wittgenstein: "O que sobra se eu subtrair o facto de o meu braço se
ter erguido ao facto de eu ter erguido o meu braço?" (1953: §621).
Evidentemente, o teu braço pode ter-se erguido sem que o tenhas feito
intencionalmente subir; talvez o teu cotovelo se tenha mexido, alguém puxe por
fios amarrados ao teu pulso ou alguém esteja a dar choques eléctricos aos
músculos do teu braço. Nem todas as ocasiões em que o teu braço se ergue são
ocasiões em que tu agiste: por isso o que marca a diferença entre o erguer do
braço que corresponde a ações genuínas das que não o são?
sábado, 20 de outubro de 2012
O que é a filosofia?
As
nossas capacidades analíticas estão muitas vezes já altamente desenvolvidas
antes de termos aprendido muita coisa acerca do mundo, e por volta dos catorze
anos muitas pessoas começam a pensar por si próprias em problemas filosóficos —
sobre o que realmente existe, se nós podemos saber alguma coisa, se alguma
coisa é realmente correcta ou errada, se a vida faz sentido, se a morte é o
fim. Escreve-se acerca destes problemas desde há milhares de anos, mas a
matéria-prima filosófica vem directamente do mundo e da nossa relação com ele,
e não de escritos do passado. É por isso que continuam a surgir uma e outra vez
na cabeça de pessoas que não leram nada acerca deles.
[...]
Não discutirei os grandes escritos filosóficos do passado nem o contexto
cultural desses escritos. O núcleo da filosofia reside em certas questões que o
espírito reflexivo humano acha naturalmente enigmáticas, e a melhor maneira de
começar o estudo da filosofia é pensar directamente sobre elas. Uma vez feito
isso, encontramo-nos numa posição melhor para apreciar o trabalho de outras
pessoas que tentaram solucionar os mesmos problemas.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
O que é estudar filosofia?
A filosofia é
diferente de muitas outras disciplinas das Letras porque para estudar filosofia
é necessário fazer filosofia. Para ser um historiador de arte, não é necessário
pintar; para estudar poesia, não é necessário ser um poeta; e podemos estudar
música sem tocar um instrumento. Contudo, para estudar filosofia é necessário
que nos entreguemos à argumentação filosófica (argumentar é apresentar
razões ou indícios que conduzem a uma conclusão). Não se trata de operar ao
nível dos grandes filósofos do passado; mas quando se estuda filosofia faz-se o
mesmo tipo de coisa que eles fizeram. Podemos jogar futebol sem chegar ao nível
do Pelé, e podemos obter muita satisfação intelectual filosofando sem a
originalidade ou o brilhantismo de Wittgenstein. Mas em ambos os casos será
necessário desenvolver algumas das competências usadas pelos grandes praticantes.
Essa é uma das razões pelas quais a filosofia pode ser uma área de estudos
imensamente compensadora.
domingo, 23 de setembro de 2012
PROPOSIÇÕES
A lógica estuda a relação entre as premissas e a conclusão. Mas o que são exactamente as premissas e as conclusões? Usam-se frases para especificar as premissas e as conclusões, nos exemplos dados, mas a premissas e as conclusões não são frases. Isto acontece porque podemos tomar um argumento dos nossos exemplos, traduzi-lo para servo-croata e ficamos com o mesmo argumento expresso em línguas diferentes. Uma vez que o argumento é o mesmo, ao passo que as frases usadas para exprimir as premissas e a conclusão são diferentes, as premissas e a conclusão não podem ser frases; são antes o que é expresso pelas frases. Usaremos a noção de proposição para referir o que uma frase portuguesa e a sua tradução noutra língua têm em comum: diremos que ambas as frases exprimem a mesma proposição. Esta noção de proposição aplica-se também no domínio de uma mesma língua. Por exemplo, percebe-se que “Bruto apunhalou César” e “César foi apunhalado por Bruto” têm o mesmo significado e podemos transmitir esta ideia, dizendo que exprimem a mesma proposição.
domingo, 4 de março de 2012
A ética de John Stuart Mill
1. O princípio da maior felicidade
O utilitarismo é um tipo de ética consequencialista. O seu princípio básico, conhecido como o Princípio da Utilidade ou da Maior Felicidade, é o seguinte: a acção moralmente certa é aquela que maximiza a felicidade para o maior número. E deve fazê-lo de uma forma imparcial: a tua felicidade não conta mais do que a felicidade de qualquer outra pessoa. Saber por quem se distribui a felicidade é indiferente. O que realmente conta e não é indiferente é saber se uma determinada acção maximiza a felicidade. Saber se a avaliação moral de uma acção a partir do Princípio da Maior Felicidade depende das consequências que de facto tem ou das consequências esperadas é um aspecto da ética de Mill que permanece em aberto.
Apesar de haver pessoas que não o aceitam, o princípio básico dos utilitaristas é hoje central nas disputas morais. Mas há cento e cinquenta anos foi uma ideia revolucionária. Pela primeira vez, filósofos defendiam que a moralidade não dependia de Deus nem de regras abstractas. A felicidade do maior número é tudo o que se deve perseguir com a ajuda da experiência. Isto explica que os utilitaristas tenham sido reformadores sociais empenhados em mudanças como a abolição da escravatura, a igualdade entre homens e mulheres e o direito de voto para todos, independentemente de deterem ou não propriedade.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
DILEMA DOS PRISIONEIROS
No início da década de 1980, Robert Axelrod, sociólogo americano, fez uma descoberta notável acerca da natureza da cooperação. A verdadeira importância do resultado de Axelrod ainda não foi devidamente valorizada fora de um grupo restrito de especialistas. Encerra a potencialidade de alterar não apenas as nossas vidas pessoais, como também o mundo da política internacional.
Para compreendermos o que Axelrod descobriu, precisamos primeiro de saber algo sobre o problema que o interessou — um bem conhecido quebra-cabeças sobre cooperação chamado Dilema do Prisioneiro. O nome vem da forma como o quebra-cabeças é geralmente apresentado: uma escolha imaginária que se apresenta a um prisioneiro. Há muitas versões. Eis a minha:
Para compreendermos o que Axelrod descobriu, precisamos primeiro de saber algo sobre o problema que o interessou — um bem conhecido quebra-cabeças sobre cooperação chamado Dilema do Prisioneiro. O nome vem da forma como o quebra-cabeças é geralmente apresentado: uma escolha imaginária que se apresenta a um prisioneiro. Há muitas versões. Eis a minha:
A VERIFICAÇÃO DAS TEORIAS CIENTÍFICAS
Podem as hipóteses ser verificadas? Muitas pessoas atribuem o enorme sucesso da ciência à sua capacidade para verificar as teorias que produz, recorrendo à observação ou a provas experimentais. Verificar uma hipótese científica, ou teoria, é mostrar conclusivamente que é verdadeira. Mas será que a ciência pode realmente fazer tal coisa?
As hipóteses ou teorias formula-se através de afirmações universais como, por exemplo, “Todos os corpos dilata sobre a acção do calor”. Estas afirmações não podem ser directamente verificadas pela experiência; pela experiência podemos verificar apenas que este ou aquele corpo se dilatou sob a acção do calor. Sendo assim, como podemos saber que as afirmações universais da ciência são verdadeiras? Como poderemos verificá-las?
Uma resposta tentadora é dizer que as afirmações universais resultam da observação e do raciocínio indutivo. O raciocínio indutivo permitiria, deste ponto de vista, justificar as afirmações universais baseadas em observações particulares. O problema desta resposta é que levanta outro problema: como podemos verificar o raciocínio indutivo? Será o raciocínio indutivo realmente de confiança? Ao contrário do que acontece na dedução, não há na indução regras simples que permitam distinguir os bons raciocínios dos maus – este é o problema da indução.
ALMEIDA, Aires e DESIDÉRIO, Murcho orgs., Textos e Problemas de Filosofia, 2006. Lisboa: Plátano Editora, p. 231
TAREFA:
Será o raciocínio indutivo realmente de confiança? Justifica.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
O que é a ciência?
Caro Senhor
Tomo a liberdade de me dirigir a si rogando-lhe que seja o juiz numa disputa entre mim e uma pessoa minha conhecida que já não posso considerar um amigo. A questão em discussão é a seguinte: É a minha criação, a guardachuvalogia, uma ciência? Permita-me que explique a situação. De há dezoito anos para cá que, conjuntamente com alguns fieis discípulos, venho recolhendo informações relacionadas com um objecto até agora negligenciado pelos cientistas — o guarda-chuva. O resultado da minha investigação, até à presente data, encontra-se reunido em nove volumes que vos envio separadamente. Deixe-me, antecipando a sua leitura, descrever brevemente a natureza dos conteúdos aí apresentados e o método que empreguei na sua compilação. Comecei pelas ilhas. Passando de quarteirão em quarteirão, de casa em casa, de família em família, de indivíduo em indivíduo, descobri: 1) o número de guarda-chuvas existentes, 2) o seu tamanho, 3) o seu peso, 4) a sua cor. Tendo coberto uma ilha, passei às restantes. Depois de muitos anos, passei à cidade de Lisboa e, finalmente, completei toda a cidade. Estava então pronto a continuar o trabalho passando para o resto do país e, posteriormente, para o resto do mundo.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
O ANEL DE GYGES
Há dois mil e quinhentos anos, no dealbar do pensamento filosófico ocidental, Sócrates tinha reputação de ser o homem mais sábio da Grécia. Um dia, Gláucon, um jovem ateniense abastado, desafiou-o a responder a uma questão sobre como havemos de viver. O desafio constitui um elemento-chave na República de Platão, uma das obras estruturantes da história da filosofia ocidental. É também uma formulação clássica de uma escolha última.
Segundo Platão, Gláucon começa por contar uma vez mais a história de um pastor que servia o soberano de Lídia. Um dia, estava o pastor com o seu rebanho quando se abateu uma tempestade sobre o local onde se encontrava e se abriu um abismo no solo. Ele desceu pelo abismo e, uma vez lá no fundo, encontrou um anel de ouro, que colocou no dedo. Alguns dias depois, sentado com outros pastores, calhou começar a brincar com o anel e, para seu espanto, descobriu que, quando girava o anel de determinada forma, tornava-se invisível aos olhos dos seus companheiros. Uma vez feita esta descoberta, arranjou maneira de ser um dos mensageiros enviados pelos pastores ao rei, para dar conta do estado dos rebanhos. Chegado ao palácio, usou o anel para seduzir a rainha, conspirou contra o rei, matou-o e, assim, obteve a coroa.
Gláucon considera que esta história encerra uma visão comum sobre a ética e a natureza humana. A implicação da história é que qualquer pessoa que possuísse tal anel faria tábua rasa de todos os padrões éticos.
De seguida, Gláucon desafia Sócrates a provar que esta opinião comum da ética é errada. Prova-nos, diz ele, que uma pessoa sensata que descobrisse o anel continuaria, ao contrário do pastor, a fazer o que era certo. Segundo Platão, Sócrates convenceu Gláucon e os outros atenienses presentes de que, seja qual for o lucro que a injustiça pareça proporcionar, só aqueles que agem de forma correcta são realmente felizes.
Que outra resposta poderíamos dar a Gláucon?
Uma “resposta” que não é resposta alguma consiste em ignorar o desafio. Há muitas pessoas que o fazem. Vivem e morrem irreflectidamente, sem alguma vez se terem perguntado quais os seus objectivos e por que fazem o que fazem.
Segundo Platão, Gláucon começa por contar uma vez mais a história de um pastor que servia o soberano de Lídia. Um dia, estava o pastor com o seu rebanho quando se abateu uma tempestade sobre o local onde se encontrava e se abriu um abismo no solo. Ele desceu pelo abismo e, uma vez lá no fundo, encontrou um anel de ouro, que colocou no dedo. Alguns dias depois, sentado com outros pastores, calhou começar a brincar com o anel e, para seu espanto, descobriu que, quando girava o anel de determinada forma, tornava-se invisível aos olhos dos seus companheiros. Uma vez feita esta descoberta, arranjou maneira de ser um dos mensageiros enviados pelos pastores ao rei, para dar conta do estado dos rebanhos. Chegado ao palácio, usou o anel para seduzir a rainha, conspirou contra o rei, matou-o e, assim, obteve a coroa.
Gláucon considera que esta história encerra uma visão comum sobre a ética e a natureza humana. A implicação da história é que qualquer pessoa que possuísse tal anel faria tábua rasa de todos os padrões éticos.
De seguida, Gláucon desafia Sócrates a provar que esta opinião comum da ética é errada. Prova-nos, diz ele, que uma pessoa sensata que descobrisse o anel continuaria, ao contrário do pastor, a fazer o que era certo. Segundo Platão, Sócrates convenceu Gláucon e os outros atenienses presentes de que, seja qual for o lucro que a injustiça pareça proporcionar, só aqueles que agem de forma correcta são realmente felizes.
Que outra resposta poderíamos dar a Gláucon?
Uma “resposta” que não é resposta alguma consiste em ignorar o desafio. Há muitas pessoas que o fazem. Vivem e morrem irreflectidamente, sem alguma vez se terem perguntado quais os seus objectivos e por que fazem o que fazem.
SINGER, Peter, Como Havemos de Viver – a ética numa época de individualismo, 1ª edição, 2006. Lisboa: Dinalivro, pp. 30-33
TAREFA
Achas que qualquer pessoa que encontrasse um anel desses agiria como Gyges e deixaria de lado os valores morais? Justifique.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
ALUCINAÇÃO
Mesmo que não esteja a dormir, posso estar a alucinar. Alguém pode ter deitado uma droga no meu café que provoque alterações mentais de forma que me pareça ver coisas que na verdade nã existem. Talvez não tenha realmente uma caneta na mão; talvez não esteja de facto sentado frente a uma janela num dia soalheiro. Se ninguém deitou LSD no meu café, talvez aconteça apenas que atingi um tal estado de alcoolismo que comecei a alucinar. Contudo, apesar de esta ser uma possibilidade, é altamente improvável que possa prosseguir tão facilmente a minha vida. Se a cadeira onde estou sentado é apenas imaginária, como pode ela sustentar o meu peso? Uma resposta a isto é que eu posso desde logo estar a alucinar que estou sentado: posso pensar que me vou sentar nua confortável poltrona quando de facto estou deitado num chão de pedra e tomei um alucinogénio, ou bebi uma garrafa inteira de Pernod.
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11º ANO,
Cérebro numa cuba,
Ceticismo,
Descrição e interpretação da atividade cognitiva,
Possibilidade do conhecimento
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Emotivismo
O meu nome é Ima Emotivista. Abracei o emotivismo quando tive conhecimento de que os juízos morais expressam apenas sentimentos e não juízos verdadeiros ou falsos.
Eis como me tornei emotivista. Estudo filosofia e química, e interesso-me em particular por filosofia da ciência. A. J. Ayer é o meu filósofo favorito. Como Ayer, respeito o método científico, que considero o único modo de conhecer o mundo. O método científico faz-nos propor um ponto de vista e depois fazer experiências para ver se esse ponto de vista é correto. Um ponto de vista tem de ser testável por intermédio da experiência sensível ou não faz sentido. Esta é a ideia que suporta a filosofia de Ayer, a que ele chamou positivismo lógico.
CONHECIMENTO A PRIORI
O conhecimento a posteriori e a priori são modalidades epistémicas. Uma proposição é conhecível a priori se, e só se, pode ser conhecida sem o concurso da experiência empírica. Assim, 2 + 2 = 4 é uma proposição conhecível a priori porque posso conhecê-la recorrendo unicamente ao pensamento. Mas para saber que a água é H2O tenho de me socorrer da experiência empírica – não posso fazê-lo recorrendo unicamente ao pensamento. Dada a definição de analiticidade, é fácil perceber que todas as frases analíticas exprimem proposições conhecíveis a priori. Pois se para saber o valor de verdade de uma frase analítica basta reflectir sobre o significado das palavras e a sintaxe da frase, isso significa que não é necessário recorrer à experiência empírica para identificar como verdadeira a proposição expressa.
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