sábado, 18 de fevereiro de 2012

DILEMA DOS PRISIONEIROS

No início da década de 1980, Robert Axelrod, sociólogo americano, fez uma descoberta notável acerca da natureza da cooperação. A verdadeira importância do resultado de Axelrod ainda não foi devidamente valorizada fora de um grupo restrito de especialistas. Encerra a potencialidade de alterar não apenas as nossas vidas pessoais, como também o mundo da política internacional.
Para compreendermos o que Axelrod descobriu, precisamos primeiro de saber algo sobre o problema que o interessou — um bem conhecido quebra-cabeças sobre cooperação chamado Dilema do Prisioneiro. O nome vem da forma como o quebra-cabeças é geralmente apresentado: uma escolha imaginária que se apresenta a um prisioneiro. Há muitas versões. Eis a minha:
O leitor e outro prisioneiro jazem em celas separadas da Esquadra Principal da Polícia da Ruritânia. Os agentes tentam fazer-vos confessar ter conspirado contra o estado. Um interrogador vem até à sua cela, serve um copo de vinho da Ruritânia, dá-lhe um cigarro e, num tom de amizade sedutora, propõe-lhe um acordo.
— Confesse o crime! — exorta ele. — E se o seu amigo na outra cela…
O leitor protesta, alegando nunca ter visto antes o prisioneiro que se encontra na outra cela, mas o interrogador ignora a objecção e prossegue:
— Ainda melhor, então, se ele não é seu amigo; pois, como eu estava a dizer, se o senhor confessar, e ele não, usaremos a sua confissão para o engaiolar a ele dez anos. A sua recompensa será a liberdade. Por outro lado, se for estúpido ao ponto de se recusar a confessar, e o seu "amigo" na outra cela confessar, será o senhor a ir para a prisão dez anos, e ele será libertado.
O leitor pensa nisto durante algum tempo e percebe que não tem informação suficiente para decidir, por isso pergunta:
— E se confessarmos ambos?
— Então, e uma vez que não precisamos realmente da sua confissão, não sairá em liberdade. Mas, tendo em conta que estavam a tentar ajudar-nos, passarão os dois oito anos na cadeia.
— E se nenhum de nós confessar?
Uma expressão de desdém perpassa o rosto do interrogador e o leitor receia que ele esteja prestes a golpeá-lo. Mas o homem controla-se e rosna que, então, uma vez que não terão provas para a condenação, não poderão manter-vos lá dentro muito tempo. Mas acrescenta:
— Não desistimos facilmente. Ainda podemos manter-nos aqui seis meses, a interrogar-vos, antes de os sacanas da Amnistia Internacional conseguirem pressionar o governo para vos tirar daqui. Portanto, pense no assunto: quer o seu colega confesse, quer não, o senhor ficará melhor se confessar do que se não o fizer. E o meu colega vai dizer a mesma coisa ao outro tipo, agora mesmo.
O leitor reflecte no que ele disse e compreende que o guarda tem razão. Faça o que fizer o estranho na outra cela, o leitor ficará melhor se confessar. Se ele confessar, a sua escolha é entre confessar também, e apanhar oito anos de prisão, ou não confessar, e passar dez anos atrás das grades. Por outro lado, se o outro prisioneiro não confessar, a sua escolha é entre confessar, e sair livre, ou não confessar, e passar seis meses na cela. Portanto, parece que o melhor a fazer é confessar. Mas, então, ocorre-lhe outro pensamento. O outro prisioneiro está exactamente na mesma situação. Se, para si, é racional confessar, também será racional para ele confessar. Assim, passarão ambos oito anos na cadeia. Por outro lado, se ninguém confessar, ambos ficarão livres dentro de seis meses. Como pode ser que a escolha que parece racional, para cada um dos dois, individualmente — ou seja, confessar — vos prejudique mais a ambos do que se decidirem não confessar? O que deve fazer?
Não há solução para o Dilema do Prisioneiro. De um ponto de vista puramente do interesse próprio (aquele que não toma em consideração os interesses do outro prisioneiro), é racional, para cada prisioneiro, confessar — e se cada um fizer o que é racional do ponto de vista do interesse próprio, ficarão ambos pior do que ficariam se tivessem escolhido de outro modo. O dilema prova que quando cada um de nós, individualmente, escolhe aquilo que é do seu interesse próprio, pode ficar pior do que ficaria se tivesse sido feita uma escolha que fosse do interesse colectivo.
SINGER, Peter, Como Havemos de Viver – a ética numa época de individualismo, 1ª edição, 2006. Lisboa: Dinalivro, pp. 242-244

TAREFA:
Interpreta o dilema dos prisioneiros à luz do conceito “interesse pessoal esclarecido”.

24 comentários:

silvia disse...

Ao ler este texto intreperto este dilema intresse pessoal significa que embora decisem de maneiras diferentes os seus interesses tinham que estar em primeiro lugar. Assim podemos dizer que é um dilema porque não tem resposta correcta. Ao agirem de torno do que esta mais vantajoso pra si, estão agir de acordo com o egoísmo. pois, não fica esclareciso de forma é que devemos agir..
Sílvia Sousa

raquel disse...

Este texto é um dealema porque não tem uma resposta correcta e os seus interesses tiveram de estar em primeiro lugar . ao agirem em torno dos seus interesses estão a ser egoistas.
raquel santos 10ºD nº20

-mandoo' disse...

Eu intreperto este dilema como o dilema dos interesses pessoais. Ou seja, embora se decida de maneira diferentes decide-se sempre com os seus interesses em prioridade !
Ao tomarem as decisões da maneira que é mais vantajosa para si estao a agir de forma egoista.
Então, se isto é uma dilema podemos dizer tambem que isto nao tem resposta correcta.
Em suma, não conseguimos decifrar as decisões certas e erradas.

Anónimo disse...

A meu ver o dilema dos interesses pessoais pode ser interpretado da seguinte forma se decidirmos em torno dos nossos interesses pessoais estamos a ser egoístas porque só estamos a pensar no que é mais vantajoso para nós. com isto podemos concluir que não existe uma resposta que possamos considerar correta para este dilema.
Cristina Duarte mº9 10ºD

Anónimo disse...

A este dilema não encontramos qualquer resposta.
Uma pessoa sempre que tem que tomar uma decisão toma-a de acordo com os seus interesses, mesmo que por vezes o mais correto seja tomar uma decisão que seja favorável a todos. Queiramos ou não, temos que admitir que sempre tomamos decisões de acordo com o nosso interesse, somos egoístas de qualquer maneira.
Inês Ferreira 10ºD nº15

Anónimo disse...

Uma pessoa cada vez que toma uma decisão toma de acordo com as suas convicções mesmo que por vezes seja prejudicial aos outros. Neste dilema não encontramos qualquer resposta. Andreia Santos

Fábio Martins disse...

Não há solução para este dilema uma vez que temos de tomar uma opção de um ponto de vista claramente do interesse próprio, ou seja, quando não tomamos em consideração os interesses do outro prisioneiro, e se ambos fizerem o que é racional do ponto de vista do interesse proprio ficarao os dois pior do que se tivessem optado pelo contrário.
E também não é possivel saber qual é a decisão certa a tomar pois não sabemos qual irá ser a opção do outro prisioneiro.

Fábio Laranjeira nº11 10ºD

Anónimo disse...

Este texto é um dilema de interesses pessoais, pois nenhum dos prisioneiros quereria ficar preso então ao agir de acordo com os seus interesses e sendo egoítas iam confessar para poderem sair dali.
Podemos dizer que este texto é um dilema porque não tem uma resposta correta, pois se um dos prisioneiros agir da forma que for mais vantajosa para si está a ser egoísta, mas se decidir não agir desta forma também não saberá o que o outro prisioneiro irá fazer, podendo este confessar e o outro ficar preso.

Sílvia Marques nº23 10ºD

Anónimo disse...

Embora os prisioneiros diferentes , os seus interesses pessoais estariam em primeiro lugar. O melhor para os dois seria não admitir, mas um prisioneiro não sabia o que o outro iria dizer, se iria confessar ou não. Logo, cada um iria agir de acordo com os seus interesses.

Sofia Rodriges

Anónimo disse...

Eu acho que este dilema nao tem soluçao pois cada um pode agir de acordo com os seus interesses, mas têm de pensar no seu objectivo, e nao confessar. Mas se nao confessar e o outro ceder fica preso, logo ficara sempre tentado em confessar.

Daniel Carvalho

Anónimo disse...

Este dilema não tem solução e quando um dos prisioneiros está a pensar o que é melhor para ele não se lembra do outro, mas no fim o que nós pensámos que era o melhor para nós tornasse o pior. Por isso o que devemos fazer é pensar no bem colectivo e não apenas no bem individual.

Bruno Henriques Nº6 10ºD

Anónimo disse...

Na minha opinião, este dilema à luz do conceito “interesse pessoal esclarecido”, toma a seguinte situação: seria do interesse pessoal de ambos os prisioneiros esperarem os seis meses. Isto porque, se apenas um confessa-se poderia sair em liberdade e o outro apanharia 10 anos de cadeia, e vice-versa. Se os dois confessarem, apanhariam ambos 8 anos de cadeia. Porém se nenhum confessa-se estariam livres em aproximadamente 6 meses, o que era beneficioso para ambos.
Pois quem age de acordo do interesse pessoal esclarecido pretende ter uma vida com sentido e, será racional se escolher agir eticamente em vez de se preocupar apenas consigo próprio.

Susana Valério nº26 10ºD

Anónimo disse...

Podemos dizer que este texto é um dilema porque não tem uma resposta correta, pois se um dos prisioneiros agir da forma que for mais vantajosa para si está a ser egoísta, mas se decidir não agir desta forma também não saberá o que o outro prisioneiro irá fazer, podendo este confessar e o outro ficar preso.

ass andre

Anónimo disse...

É um dilema de interesses pessoais, porque os prisioneiros não queriam estar presos então estão agir de acordo com os seus interesses e sendo egoístas iam confessar para poderem sair.
Este texto é um dilema porque não tem uma resposta correta, pois se um dos prisioneiros agir da forma que for mais vantajosa para si está a ser egoísta, mas se decidir não agir desta forma também não saberá o que o outro prisioneiro irá fazer, e o outro prisioneiro poderá confessar e este terá de se manter preso.

Anónimo disse...

Ângela correia nº 4 10º D

Anónimo disse...

Podemos dizer que é um dilema porque não tem uma resposta correcta.
pois os prisioneiros ao agirem com base no que acham mais vantajoso para si, estão a agir de acordo com o egoísmo, pois assim não conseguimos ficar esclarecidos de como devemos agir.



Catarina silva 10ºd nº8

Anónimo disse...

Isto é um dilema porque ambos os prisioneiros agem (quer confessem quer não confessem) de acordo com o seu interesse pessoal esclarecido. Não existe uma solução para este dilema. Se ambos confessaram (ou não) estão a agir de acordo com o seu interesse pessoal e não com a ética.


Andreia Santos Nº2 10ºD

Anónimo disse...

Na minha opinião, o dilema à luz do conceito “interesse pessoal esclarecido”, reconhece a seguinte situação: seria interesse pessoal de ambos os prisioneiros esperarem os seis meses, isto porque, se apenas um confessar, este poderá sair em liberdade e o outro seria condenado a 10 anos de cadeia, e o mesmo vice-versa.
Mas se os dois confessarem, apanham ambos 8 anos de cadeia, no entanto se nenhum confessar estariam ambos livres provávelmente dali a 6 meses, beneficiando ambos os prisioneiros.
Quem age de acordo com o seu interesse pessoal esclarecido pretende fazer o que é mais benefico para si mesmo, agindo ao mesmo tempo de uma forma racional, pois escolheu agir de forma benefica para si mesmo. Embora este comportamento seja considerado egoismo, é eticamente errado só pensarmos em nós em vez de nos preocupar-mos também com os outros.

Francisca Silva
nº14/10ºD

Anónimo disse...

Ambos os prisioneiros agem de acordo com o seu interesse pessoal, quer confessem ou não, ou seja agem de acordo com o seu interesse esclarecido. Queiramos ou não, temos que admitir que maioritariamente das vezes sempre tomamos decisões de acordo com o nosso interesse, somos egoístas de qualquer maneira.
Podemos dizer que este texto é um dilema porque não tem uma resposta correcta, pois se um dos prisioneiros agir da forma que for mais vantajosa para si está a ser egoísta, mas se decidir não agir desta forma também não saberá o que o outro prisioneiro irá fazer, podendo este confessar e o outro ficar preso. Eu acho que este dilema não tem solução pois cada um pode agir de acordo com os seus interesses, mas têm de pensar no seu objectivo, e nao confessar, pois foi o que ambos combinaram. Mas se não confessar e o outro ceder ,fica preso, logo ficará sempre tentado em confessar.

Ana Beatriz nº1 10ºD

Anónimo disse...

Este texto é um dilema porque não tem uma resposta correcta e os seus interesses tiveram de estar em primeiro lugar, ao agirem em torno dos seus interesses estão a ser egoistas
Carolina Almeida nº7 10ºD

Francisca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Francisca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Francisca disse...

O texto a cima transcrito descreve uma situação de dilema, uma vez que não identificamos a acção que é moralmente boa e correta e também não identificamos aquela que é moralmente incorrecta e menos boa. Nesta situação o agente tem a escolher entre optar por uma ou outra acção, no entanto os agentes só podem realizar uma das várias acções uma vez que o mesmo( o agente) não pode adoptar por ambas as alternativas, ou seja tem de fazer uma opção na qual uma delas sairá “derrotada” e a outra sairá vencedora, isto é uma será a acção que vai ser realizada e a outra é aquela que não foi escolhida para ser realizada. Para um sujeito agir de um ponto de vista eticamente correto, não deverá praticar acções que sabe que não são moralmente corretas, mas muitas das vezes a acção que achamos que é moralmente correta fazer não está de acordo com o que parece ser mais vantajoso tendo em conta os nossos interesses, ou seja com os actos que desejávamos na realidade realizar, actos baseados nos nossos interesses pessoais. Existe então um conflito entre aquilo que é moralmente aceitável e aquilo que seria mais vantajoso para nós próprios, isto é um conflito entre a ética e o interesse pessoal. No DILEMA DOS PRISIONEIROS, existe uma acção que era realmente do interesse do “leitor”, ou seja a acção que seria mais vantajosa para ele próprio,essa acção seria atingida, através da sua confissão pois se o sujeito confessa-se o crime poderia sair em liberdade. No entanto o outro prisioneiro iria sofrer as consequências do seu ato ficando na prisão durante 10 anos, o que seria mau para ele.
No entanto os nossos intereses pessoais podem ou não trazer consequencias para os outros.

Francisca disse...

O texto a cima transcrito descreve uma situação de dilema, uma vez que não identificamos a acção que é moralmente boa e correta e também não identificamos aquela que é moralmente incorrecta e menos boa. Nesta situação o agente tem a escolher entre optar por uma ou outra acção, no entanto os agentes só podem realizar uma das várias acções uma vez que o mesmo( o agente) não pode adoptar por ambas as alternativas, ou seja tem de fazer uma opção na qual uma delas sairá “derrotada” e a outra sairá vencedora, isto é uma será a acção que vai ser realizada e a outra é aquela que não foi escolhida para ser realizada. Para o sujeito agir de um ponto de vista eticamente correto, não deve praticar acções que sabe que não são moralmente corretas, mas muitas das vezes a acção que achamos que é moralmente correta fazer não está de acordo com o que parece ser mais vantajoso tendo em conta os nossos interesses, ou seja com os actos que desejávamos na realidade realizar, actos baseados nos nossos interesses pessoais. Existe então um conflito entre aquilo que é moralmente aceitável e aquilo que seria mais vantajoso para nós próprios, isto é um conflito entre a ética e o interesse pessoal. No DILEMA DOS PRISIONEIROS, existe uma acção que era realmente do interesse do “leitor”, ou seja a acção que seria mais vantajosa para ele próprio,essa acção seria atingida, através da sua confissão pois se o sujeito confessa-se o crime poderia sair em liberdade. No entanto o outro prisioneiro iria sofrer as consequências do seu ato ficando na prisão durante 10 anos, o que seria mau para ele.
No entanto os nossos intereses pessoais podem ou não trazer consequencias para os outros.