domingo, 25 de dezembro de 2011

Ética e subjectivismo

Subjectivismo: "X é um bem" significa "Gosto de X". Escolhe os teus princípios morais de acordo com o que sentes.
O subjectivismo sustenta que os juízos morais descrevem a maneira como sentimos. Afirmar que algo é um "bem" consiste em dizer que temos um sentimento positivo a seu respeito. A perspectiva do observador ideal é um refinamento desta posição; diz-nos que os juízos morais descrevem o que sentiríamos se fossemos inteiramente racionais.
Neste capítulo, iremos ouvir duas colegas imaginárias, ambas chamadas "Ana". A Ana Subjectivista irá defender o subjectivismo e a Ana Idealista a perspectiva do observador ideal. Iremos igualmente considerar algumas objecções a cada um destes pontos de vista.
2.1 Ana Subjectivista
Chamo-me Ana Subjectivista; mas, dado a minha colega também se chamar "Ana", habitualmente tratam-me por "Sub". Adoptei o subjectivismo ao compreender que a moral é profundamente emocional e pessoal.
O ano passado frequentei com alguns amigos um curso de antropologia. Acabámos por aceitar o relativismo cultural – a perspectiva de que o bem e o mal são relativos a cada cultura, que "bem" significa "socialmente aprovado". Mais tarde, descobri que o relativismo cultural enfrenta um problema, nomeadamente o de nos negar a liberdade para formarmos os nossos próprios juízos morais. Sucede que a liberdade moral é algo a que atribuo muita importância.
O relativismo cultural obriga-me a aceitar todos os valores da sociedade. Admitamos que descobri que a maior parte das pessoas aprova acções racistas; terei então de concluir que o racismo é um bem. Estaria a contradizer-me se dissesse "O racismo é socialmente aprovado embora não seja um bem". Como o relativismo cultural impõe as respostas do exterior, negando a liberdade de pensamento em questões morais, passei a considerá-lo repulsivo.
Crescer obriga-nos a questionar os valores que herdámos. E é claro que recebemos os nossos valores da sociedade, pelo menos inicialmente. Quando somos crianças, esses valores são-nos fornecidos principalmente pelos nossos pais e grupos de amigos. Depois tornamo-nos adultos. À medida que crescemos, questionamos os valores que aprendemos. Podemos aceitá-los ou rejeitá-los em bloco ou aceitá-los ou rejeitá-los parcialmente. A escolha é nossa.
Quando afirmo "Isto é um bem" refiro-me ao que eu própria sinto – é apenas uma maneira de dizer "Gosto disto". Os meus juízos de valor são acerca do que eu sinto e não acerca do que a sociedade sente. Os meus juízos de valor descrevem as minhas emoções.
Considero a liberdade moral uma parte do processo de crescimento. O que se espera das crianças é que repitam mecanicamente os valores que lhes foram ensinados; no entanto, um adulto que proceda deste modo revela que o seu processo de desenvolvimento não foi o adequado. O que se espera dos adultos é que pensem pela sua cabeça e que formem os seus próprios valores. O relativismo cultural não permite fazê-lo. Pelo contrário, tornamo-nos conformistas.
Deixem-me dar-vos um exemplo de como funciona o subjectivismo. A minha família ensinou-me a respeitar escrupulosamente a proibição de consumir bebidas alcoólicas. Na minha família beber estava "socialmente proibido". No entanto, os meus colegas de escola acham interessante beber em grandes quantidades. Neste grupo, beber é um "requisito social". O relativismo cultural afirma que devo fazer aquilo que a sociedade defende – mas que sociedade? Será que devo proceder de acordo com a minha família ou seguir o meu grupo de amigos?
O subjectivismo diz-me para seguir o que sinto. Assim, comecei a reflectir no conflito entre estas diferentes normas e nas razões que lhes subjazem. A minha família desejava prevenir-me contra os perigos do excesso de bebida, enquanto os meus amigos usavam a bebida para promover o divertimento e a sociabilidade. Eu tenho um sentimento positivo acerca de cada um destes objectivos e pensei na melhor maneira de promover ambos. Após alguma reflexão, os meus sentimentos tornaram-se claros. Diziam-me para beber moderadamente.
Beber demais pode ser "fixe" (socialmente aprovado) mas conduz com frequência a agressões, ressacas, alcoolismo, gravidezes indesejadas e também à morte em acidentes de viação. Nenhuma destas consequências me agrada – por isso, sou emocionalmente contra beber demais. Eis por que razão beber demais é um mal. Muitos dos meus amigos bebem em excesso dado tratar-se de um comportamento socialmente aprovado. Isto fá-los agir como crianças. Adoptaram cegamente os valores do grupo em vez de pensarem por si próprios.
Deixem-me explicar-vos alguns aspectos mais sobre o subjectivismo. Afirmei que "X é bom" significa "Gosto de X". Alguns subjectivistas preferem usar diferentes termos para expressar emoção – por exemplo, "sinto aprovação por", "tenho um sentimento positivo acerca de" ou "desejo". Contudo, não irei preocupar-me em saber qual dos termos é mais adequado.
A verdade do subjectivismo torna-se óbvia se considerarmos a maneira habitual de falar. É frequente dizermos coisas do género "Gosto disto – é bom." Estas expressões têm o mesmo significado. Acontece também perguntarmos "Gostas? – Parece-te bem?" Em ambos os casos estamos a formular uma única pergunta, embora utilizemos diferentes palavras.
A objecção colocada pela minha companheira de quarto é que podemos dizer que gostamos de coisas que não são boas. Por exemplo, "Gosto de fumar, embora fazê-lo não seja bom." Mas neste caso passamos da avaliação da satisfação imediata para a avaliação das consequências. As coisas seriam claras se disséssemos "Gosto da satisfação imediata que fumar provoca (a satisfação imediata é um bem); não gosto das consequências (as consequências não são boas)."
O subjectivismo sustenta que as verdades morais são relativas ao indivíduo. Se eu gosto de X e você não, então "X é um bem" é verdade para mim mas falso para si. Usamos a palavra "bem" para falar dos nossos sentimentos positivos. Nada é um bem ou um mal em si mesmo, independentemente dos nossos sentimentos. Os valores apenas existem como preferências de pessoas individuais. Você tem as suas preferências e eu as minhas; nenhuma preferência é objectivamente correcta ou incorrecta. Esta ideia tornou-me mais tolerante a respeito das pessoas com sentimentos diferentes e, portanto, com diferentes crenças morais.
A minha colega defende que os juízos morais traduzem afirmações objectivas acerca do que em si mesmo é verdadeiro, independentemente dos nossos sentimentos, e que o subjectivismo não tem este facto em consideração. Mas a objectividade é uma ilusão que resulta de objectivarmos as nossas reacções subjectivas. Rimo-nos de uma piada e afirmamos que a piada é "engraçada" – como se ser engraçado fosse uma propriedade objectiva das coisas. Quando gostamos de uma coisa dizemos que é "boa" – como se ser boa fosse objectivo. Nós, os subjectivistas, não nos deixamos enganar por este tipo de ilusões gramaticais.
Na prática, todos seguimos o que sentimos em questões morais. Contudo, apenas os subjectivistas são suficientemente honestos para o admitir e pôr de lado o apelo a uma pretensa objectividade.
Harry Gensler
In www.criticanarede.com

TAREFA:
Que aspetos mais te agradam na perspetiva do subjetivismo moral?

27 comentários:

Fábio Martins disse...

O que mais me agrada nesta prespetiva é que ela diz-nos para seguir os nossos sentimentos, que o certo e o errado dependem dos sentimentos de cada um. E esta teoria torna também possivel a liberdade.

Anónimo disse...

Os aspectos que mais me agradam na perspectiva do subjectivismo moral são que cada cultura e religião tem as suas crenças e desejos, e portanto o que pode ser mau para umas pessoas é muito bom para outras sendo que não podemos acusar ninguém de não gostar das mesmas coisas que nós.

Bruno Henriques nº6 10ºD

silvia disse...

Não devemos julgar as pessoas por a sua religião, ou outros gostos que tenham .. Nós ao termos certas crenças e desejos não significa que sejamos más pessoas. Normalmente os gostos não se discutem, cada pessoa acredita em certas crenças e em certos desejos, e isso assim torna-nos pessoas diferentes mas havendo pessoas que sejam mais compativeis connosco, assim agradame alguns aspectos da prespectiva do subjectismo

silvia disse...

assinado Sílvia Sousa

äЯπăŇÐ0 disse...

O que mais me agrada é que na prespectiva do subjectivismo nos devemos seguir os nossos sentimentos e não podemos criticar religioes pois cada uma tem a sua crenca e desejo e possivelmente para nos é mau mas para as outras pessoas é muito bom . Em suma nao podemos criticar quem nao tem os mesmos gostos e religioes que nos !

Anónimo disse...

Na perspetiva do subjetivismo moral o que mais me agrada é o facto de podermos juntar os valores que desde aprendemos pelos valores que tomamos como verdadeiros à medida que crescemos.
Sendo então que podemos tomar uma escolha através do que aprendemos durante o nosso crescimento.
Acho assim que os meus juízos de valor são sobre o que sinto e não acerca do que a sociedade quer que eu sinta.
Assim a perspetiva do subjetivismo torna as pessoas mais tolerantes sobre outros sentimentos diferentes e, logo, com diferentes crenças morais.


Susana Valério 10ºD nº26

Anónimo disse...

O que mais me agrada na prespectiva do subjectivismo moral é que desde pequenos que estamos habituados a certos valores e quando crescemos já temos uma outra capacidade para analisar esses valores e podemos decidir se os aceitamos, se os rejeitamos, podemos escolher o que quizermos conforme o que sentimos. O subjectivismo diz-nos para seguir o que sentimos, e assim podemos analisar um valor e se não concordar-mos com ele podemos rejeitá-lo, ou se concordármos podemos aceitá-lo. Isso é o que tem de bom o subjectivismo moral, somos livres de escolher comforme as nossas crenças e os nossos desejos.

Sónia Ribeiro 10ºD Nº25

Anónimo disse...

o que mais me agrada nesta prespativa é a que nó devemos seguir o que nossos sentimentos, o que é certo ou errado mas seguindo os nossos sentimento.
e a outra é que devemos seguir em alguns casos o que os nossos pais no ensinam e ensinaram.









assinado: catarina silva nº8 10º D

Anónimo disse...

Na perspetiva do subjetivismo moral o que mais me agrada é o facto de podermos juntar os valores que desde aprendemos pelos valores que tomamos como verdadeiros à medida que crescemos.
Normalmente os gostos não se discutem, cada pessoa acredita em certas crenças e em certos desejos, e isso assim torna-nos pessoas diferentes mas havendo pessoas que sejam mais compativeis connosco.

Cristina Duarte nº9 10ºD

Anónimo disse...

O que mais me agrada no subjectivismo é que devemos seguir os nossos sentimentos, mas nem sempre é bom.

Anónimo disse...

O que mais me agrada na perspetiva do subjetivismo moral é que diz-nos para seguir o que sentimos e não podendo criticar os desejos e crenças dos outros, pois cada um tem as suas convicções, tornando-nos pessoas diferentes umas das outras.


Ricardo Costa nº21 10D

Anónimo disse...

O que me agrada nesta perspectiva é o facto de nós podermos reagir sem nenhuma crítica se formos de acordo com os nossos sentimentos.



Ângela Correia nº4 10ºD

Anónimo disse...

O que mais me agrada na perspectiva do subjectivismo é o facto de que agimos para além daquilo que a nossa educação nos é imposta, segundo os nossos sentimentos!



Andreia Santos Nº2 10ºD

Anónimo disse...

O que mais me agrada nesta teoria é que podemos seguir os nossos sentimentos, a nossa maneira de pensar e ninguém pode considerar aquilo que pensamos errado, pois tudo aquilo que pensamos e queremos é correto.

Inês Ferreira 10ºD nº15

raquel disse...

o que mais gosto nesta teoria é a parte em que esta diz para agirmos e nos expressarmos de acordo com os nossos sentimentos ... as nossas acçoes , as nossas opinioes que podem ser certas para nos e ser errada para outros , acontecem de acordo com os nossos sentimentos ... pois cada um tem as suas crenças e os seus desejos !

Raquel Santos 10ºD nº 20

Anónimo disse...

Esta teoria proporciona-nos liberdade dando-nos a possibilidade de seguir apenas os nosso sentimentos sendo a nossa definição de certo e errado dependente deles.


Daniel nº10 10ºD

Anónimo disse...

O que mais me agrada na perspectiva do subjectivismo moral é o facto de podermos agir sengundo os nossos sentimentos, agir com liberdade semsermos criticados.

Sofia Rodrigues nº24 10ºD

Anónimo disse...

O que mais me agrada nesta teoria é o facto de que somos livres de escolher conforme as nossas crenças e os nossos desejos sem que tenhamos de ser criticados, pois a prespectiva do subjectivismo moral diz-nos que não devemos criticar os desejos e as crenças dos outros pois cada um acredita no que pensa ser correcto, podendo nem ser a opcao mais correcta mas temos a liberdade de a escolher . Dependendo da cultura, da religião, das crenças e dos sentimentos de cada um, devemos aceitar, não tentar impor e dizer que a nossa crença está correcta, porque cada um deve escolher o certo do errado independentemente da minha opinião, o que para mim está certo para outras pessoas pode estar errado, cada um tem a sua opinião.

Ana Beatriz nº1 10ºD

Anónimo disse...

O que mais me agrada nesta teoria é o facto de não existir opiniões pessoais, cada um tem a sua verdade. O certo ou errado dependem dos sentimentos de cada um, o que faz com que haja muita mais liberdade.

Anónimo disse...

Pedro Silva nº19 10ºD

Anónimo disse...

O que mais me agrada é que na prespectiva do subjectivismo nos devemos seguir os nossos sentimentos, por vezes pode ser errado seguir os nossos sentimentos. Andreia Santos

Anónimo disse...

O que mais me agrada no subjectivismo é que cada pessoa tem as suas crenças e o que é certo ou errado depende de cada um e dos seus desejos.Então com isto ninguém pode criticar as outras pessoas pelos seus gostos.

Sílvia Marques nº23 10ºD

Fábio Martins disse...

O que mais me agrada nesta prespetiva é que ela diz-nos para seguir os nossos sentimentos, que o certo e o errado dependem dos sentimentos de cada um.

Fábio Laranjeira nº11 10ºD

Anónimo disse...

Na perspetiva do subjetivismo moral o que mais me agrada é o facto de podermos juntar os valores que desde aprendemos pelos valores que tomamos como verdadeiros à medida que crescemos.
Sendo então que podemos tomar uma escolha através do que aprendemos durante o nosso crescimento.
Dependendo da cultura, da religião, das crenças e dos sentimentos de cada um, devemos aceitar, não tentar impor e dizer que a nossa crença está correcta, porque cada um deve escolher o certo do errado independentemente da minha opinião, o que para mim está certo para outras pessoas pode estar errado, cada um tem a sua opinião.
ass. Andre

Anónimo disse...

Na perspetiva do subjetivismo moral o que mais me agrada é poder juntar os valores que aprendi desde criança com os que estabeleci agora que sou mais crescida e que penso mais pela minha própria cabeça.
Ao poder aliar os conhecimentos adquiridos anteriormente com os que agora questiono, defendo e aceito, posso a agir conforme o que considero como certo e bom para mim. Assim sendo, podesso tomar uma decisão baseando-me em ambos.
Sendo,então, os meus juízos de valor relaticos ao que eu sinto e não ao que a sociedade quer e acha que devo ou devia sentir.
Deste modo a perspetiva do subjetivismo torna as pessoas mais tolerantes em relação aos sentimentos dos outros, mesmo sendo estes diferentes dos seus.

Francisca Silva
nº14/10ºD

Anónimo disse...

*relaticos -> relativos.

Francisca Silva
nº14/10ºD

Anónimo disse...

O que mais me agrada nesta prespetiva é que ela diz-nos para seguir os nossos sentimentos, que o certo e o errado dependem dos sentimentos de cada um. E esta teoria torna também possivel a liberdade.
Carolina Almeida nº7 10ºD