
O facto das pessoas colocarem frequentemente os interesses dos filhos acima dos seus próprios interesses é algo que tomamos por adquirido. O amor dos pais pelos filhos é tão básico na natureza humana que, quando, ocasionalmente, as pessoas se comportam de formas aberrantes que revelam negligência ou falta de cuidado com os filhos, não conseguimos compreender como uma mãe ou um pai conseguem não ter algo que nos é tão natural. Estamos mais dispostos a perdoar as mães que recorrem à prostituição para alimentar os filhos do que as mães que os negligenciam ou abandonam.
A prontidão dos pais em colocar os interesses dos filhos acima dos seus próprios interesses é um notável contra-exemplo da tese geral de que as pessoas são egoístas. Quando os pais confortam um bebé que chora, não o fazem porque pensam no tempo, vinte ou trinta anos mais tarde, em que a criança os poderá sustentar, na velhice. Reagem directamente ao amor que sentem pelo bebé e à empatia com a imagem de aflição que um bebé a chorar representa – especialmente quando se trata do nosso bebé.
SINGER, Peter, Como Havemos de Viver – a ética numa época de individualismo, 1ª edição, 2006. Lisboa: Dinalivro, pp. 168-173
2 comentários:
estes putos de hoje em dia andam muito mimados!!!! rua com eles!!!
Esses "putos" são o grande capital de investimento de todas as sociedades. Uma sociedade que não invista nas crianças e jovens é uma sociedade condenada à partida. A importância do investimento nas crianças é desde cedo compreendido pelos pais. Essa compreensão é simultaneamento social, cultural e biológica.
António Paulo
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