Daniel Kolak e Raymond Martin
Tradução de Célia Teixeira
O leitor tem várias crenças. Mas quais das suas
crenças é conhecimento, se é que alguma o é?
O que é o conhecimento?
O conhecimento não é mera crença. Se o leitor
acreditar e afirmar que sabe algo e alguém acreditar e afirmar que sabe o
oposto, então pelo menos um de vós tem de estar enganado. Quando duas pessoas
acreditam em coisas contraditórias não podem ambas saber aquilo que
afirmam saber. Pois uma das duas crenças tem de ser falsa. Acreditar meramente
em algo, não importa quão ardentemente, não faz disso uma verdade. Para que se
saiba algo, não temos somente de acreditar nisso; isso também tem de ser
verdade. Mas será isto tudo o que é requerido? É o conhecimento mera crença
verdadeira?
Suponha-se que alguém aposta regularmente em cavalos.
Ele tenta sempre apostar em vencedores, mas raramente o faz. Contudo, está tão
cheio de ilusória autoconfiança que sempre que faz uma aposta acredita
ardentemente que o seu cavalo vai ganhar. Nas raras ocasiões em que o cavalo
ganha, saberia o apostador que o cavalo dele iria ganhar? Claro que não. Ele
poderia sentir-se completamente confiante, mas isso é outra história. Para se
saber algo, não se pode apenas adivinhá-lo, mesmo que se acerte, e não o
sabemos por maior que seja a confiança que depositamos no nosso palpite. Assim,
que mais é necessário para o conhecimento, além da crença verdadeira?
