segunda-feira, 25 de abril de 2011

O SENTIDO DA VIDA

O sentido da vida é um tema obscuro, e no entanto central para a filosofia. Frequentemente associada à questão de os seres humanos fazerem parte de um desígnio mais vasto ou divino, a pergunta «qual é o sentido da vida?» parece pedir uma resposta religiosa. No entanto, grande parte das discussões filosóficas questiona a necessidade desta associação. A atenção dedicada à inevitabilidade da morte parece muitas vezes tornar a questão do sentido da vida problemática, mas não é óbvio que a imortalidade pudesse fazer a diferença entre o sentido e a sua ausência. O tema do absurdo é recorrente nas discussões entre quem pensa que o universo é indiferente aos nossos destinos. Embora as nossas vidas não tenham sentido, defendem que devemos viver como se tivessem. Perante este absurdo, alguns propõem o suicídio, outros a rebelião, outros ainda a ironia. Também é possível virar as costas à questão do sentido cósmico e procurar um sentido para a vida noutro lugar.

quinta-feira, 24 de março de 2011

OBJECÇÕES À TEORIA DE J. RAWLS

A teoria de Rawls não compensa as desigualdades naturais
A concepção comum de igualdade de oportunidades não limita a influência dos talentos naturais. Rawls tenta resolver essa falha através do princípio da diferença. Assim, os mais talentosos não merecem ter um rendimento maior e só o têm se com isso beneficiarem os menos favorecidos. Mas talvez Rawls não tenha resolvido o problema. Talvez a sua teoria da justiça deixe ainda demasiado espaço para a influência das desigualdades naturais. E nesse caso o destino das pessoas continua a ser influenciado por factores arbitrários.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A TEORIA DA JUSTIÇA DE JOHN RAWLS

Problema
Há crianças vendidas por pais extremamente pobres a quem tem dinheiro e falta de escrúpulos para as comprar; pessoas cujo rendimento não permite fazer mais do que uma refeição por dia; jovens que não têm a menor possibilidade de adquirir pelo menos a escolaridade básica; cidadãos que estão presos por terem defendido as suas ideias. Perante casos destes sentimos que as nossas intuições morais de justiça e igualdade não são respeitadas. Surge assim a pergunta: Como é possível uma sociedade justa? Este problema pode ter formulações mais precisas. Uma delas é a seguinte: Como deve uma sociedade distribuir os seus bens? Qual é a maneira eticamente correcta de o fazer? Trata-se do problema da justiça distributiva. A pergunta que o formula é a seguinte: Quais são os princípios mais gerais que regulam a justiça distributiva? A teoria da justiça de John Rawls é a resposta mais influente a este problema. Esta lição irá sujeitar à tua avaliação crítica os argumentos em que se apoia e algumas objecções que enfrenta.

sexta-feira, 11 de março de 2011

DO ESTADO DE NATUREZA AO GOVERNO CIVIL

 O estado de natureza, diz Locke, é, em primeiro lugar, um estado de perfeita liberdade; em segundo lugar, um estado de igualdade; e, em terceiro lugar, é regido por uma Lei da Natureza. O princípio da igualdade de Hobbes consistia numa afirmação das capacidades mentais e físicas de todas as pessoas. Para Locke, trata-se de uma afirmação moral relativa a direitos: nenhuma pessoa tem o direito natural de subordinar outra. Esta afirmação visava explicitamente aqueles que, incluindo Filmer, aceitavam a perspectiva feudal de uma hierarquia natural, encabeçada por um soberano que governava por nomeação divina. Para Locke, é evidente que ninguém tem naturalmente o direito de governar, no sentido em que ninguém foi nomeado por Deus com essa finalidade.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A JUSTIFICAÇÃO DO ESTADO E O ESTADO DE GUERRA

A maior obra de Hobbes, Leviatã (publicada em 1651), trata um assunto que o obcecou durante mais de vinte anos: os males da guerra civil e a anarquia que a acompanharia. Nada podia ser pior do que a vida sem a protecção do estado, afirma Hobbes, e, portanto, o governo forte é essencial para assegurar que não caímos na guerra de todos contra todos.
Mas por que razão pensava Hobbes que o estado de natureza seria tão desesperado, um estado de guerra, um estado de medo constante e risco de morte violenta? A essência da perspectiva de Hobbes é que, na ausência de governo, a natureza humana conduzir-nos-ia, inevitavelmente, ao conflito grave. Assim, para Hobbes, a filosofia política começa com o estado da natureza humana.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O IMPERATIVO CATEGÓRICO

A ideia de que as regras se aplicam sem excepções é difícil de defender. É bastante simples explicar por que razão se deve aceitar excepções a uma regra – podemos simplesmente sublinhar que, em algumas circunstâncias, seguir a regra teria consequências terríveis. Mas como podemos explicar a razão pela qual não se deve fazer excepções à regra em tais circunstâncias? É uma missão intimidante. Uma explicação possível seria afirmar que as regras morais são os mandamentos invioláveis de Deus. Fora isso, que mais pode dizer-se?

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Por que razão havemos de ser morais?

Por que razão havemos de ser morais? Esta pergunta exige razões para agirmos moralmente. Quem faz esta pergunta pode aceitar que é incorrecto matar crianças por prazer, por exemplo. Essa pessoa não quer saber o que é correcto ou incorrecto; o que ela quer saber é se há alguma razão para fazer o que é correcto (e para não fazer o que é incorrecto). Do mesmo modo, uma pessoa pode aceitar que, quando se vai à praia, se deve levar toalha; mas essa pessoa pode perguntar que razões há para ir à praia. Analogamente, pode aceitar-se que, se agirmos moralmente, não devemos matar crianças por prazer; mas ao mesmo tempo pode perguntar-se que razões há para agir moralmente.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

ÉTICA E RELATIVISMO CULTURAL

Relativismo Cultural (RC): "Bem" significa "socialmente aprovado." Escolhe os teus princípios morais segundo aquilo que a tua sociedade aprova.
O relativismo cultural (RC) defende que o bem e o mal são relativos a cada cultura. O "bem" coincide com o que é "socialmente aprovado" numa dada cultura. Os princípios morais descrevem convenções sociais e devem ser baseados nas normas da nossa sociedade.
Começaremos por ouvir uma figura ficcional, a que chamarei Ana Relativista, e que nos explicará a sua crença no relativismo cultural. Ao ler o que se segue, ou explicações semelhantes, proponho-lhe que reflicta até que ponto esta é uma perspectiva plausível e se se harmoniza com o seu ponto de vista. Depois de ouvirmos o que Ana tem para dizer, consideraremos várias objecções ao RC.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Determinismo e liberdade na acção humana

Determinismo, livre-arbítrio e ainda a responsabilidade moral. Irei basear-me no filme “Rope” de Alfred Hitchcock para poder falar sobre estes três conceitos. Este filme fala de dois jovens que decidem matar um colega para poderem pôr em prática aquilo que tinham aprendido nas aulas de um dos seus professores, querendo mostrar assim que eram seres superiores pertencendo a uma minoria de seres que vivem acima dos conceitos morais. Para isto decidiram cometer o crime perfeito.
Comecemos então pelo conceito de livre-arbítrio. No filme, quando os dois rapazes decidem matar o seu colega, para porem em prática o que tinham aprendido nas aulas, dá-nos a ideia de que tanto o poderiam ter feito como simplesmente poderiam ter decidido não o fazer. Eles tinham liberdade de escolha. Não tinham ninguém a obrigá-los a fazerem isso, nem nada lhes aconteceria caso não tivessem feito, logo foram livres de o fazer, tiveram livre-arbítrio.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

OBJECÇÕES AO SUBJECTIVISMO ÉTICO

A Ana Subjectivista deu-nos uma formulação clara de uma maneira importante de abordar a moral. Concordo com a sua ênfase na liberdade moral e com a sua rejeição do relativismo cultural (e de qualquer outra perspectiva que exclua a liberdade moral). Mas discordo da sua análise do "bem". Além disso, necessita de aprofundar as suas ideias sobre o pensamento moral.
O maior problema consiste no subjectivismo fazer o bem depender completamente do que gostamos. Se "X é um bem" e "Gosto de X" significam a mesma coisa, o seguinte raciocínio é válido:
Gosto de X.
X é um bem.

domingo, 26 de dezembro de 2010

A IDEIA DE BASE DO SUBJECTIVISMO MORAL

Em 2001 realizou-se uma eleição municipal em Nova Iorque, e quando chegou o momento do desfile anual do Orgulho Gay todos os candidatos democratas e republicanos apareceram para desfilar. “Não há um único candidato que se possa descrever como mau nas questões que nos dizem respeito”, afirmou Matt Foreman, director executivo do Empire State Pride Agenda, uma organização de defesa dos direitos dos homosexuais. Acrescentou ainda que, “noutras partes do país, as posições aqui defendidas seriam extremamente impopulares nas urnas, se não mesmo fatais”. O Partido Republicano Nacional parece concordar; pressionado pelos conservadores religiosos fez da oposição aos direitos dos homossexuais uma parte do seu posicionamento a nível nacional.

domingo, 19 de dezembro de 2010

TEORIAS DOS VALORES

O conceito de valor tem sido investigado e conceituado em diferentes áreas do conhecimento. A abordagem filosófica descreve-o como nem totalmente subjectivo, nem totalmente objectivo, mas como algo determinado pela interacção entre o sujeito e o objecto.
Nas ciências económicas, a noção de valor tem uma interpretação predominantemente material. Smith propõe a análise de valor como a habilidade intrínseca de um produto oferecer alguma utilidade funcional. Já no conceito moderno, dado pelo marketing, isto é uma função dos atributos dados ao produto ou ao conjunto formado por ele e que o envolve, quando necessitamos obtê-lo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Preservar a natureza é uma obrigação moral?

            Actualmente, um dos problemas abordados em filosofia é se “Preservar a Natureza é uma obrigação moral?”. Este tema é muito discutido, não por boas razões, mas sim porque a Natureza está a passar por uma fase de destruição.
           

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

DETERMINISMO MODERADO

Parece que ficámos encurralados num canto. Temos de rejeitar o determinismo radical porque nega a validade da responsabilidade moral. Mas temos igualmente de rejeitar o libertarianismo, porque se fosse verdadeiro nunca teríamos justificação para considerar as pessoas moralmente responsáveis pelas suas acções.
O problema está na nossa definição de liberdade. Dissemos antes que chamaríamos livre a uma escolha se ela não fosse causada. Mas há uma outra e mais útil concepção de escolha livre. Para ilustrá-lo, imagina os soldados Silva e Nunes de sentinela durante a guerra, Silva depois de 72 horas acordado em batalha e Nunes depois de um bom descanso. Supõe que Silva tenta ao máximo estar acordado, enquanto que Nunes, digamos, por travessura, se deixa deliberadamente dormir. Parece que neste caso deveríamos repreender Nunes por se ter deixado adormecer, mas não Silva, porque Nunes, se quisesse, poderia ter estado acordado, enquanto Silva não poderia, ainda que de facto o desejasse. Nunes deveria ser considerado culpado porque ele quis fazer a acção maldosa, enquanto Silva deve ser considerado inocente ou, pelo menos, ser perdoado, porque ele quis fazer o seu dever, estar acordado e tentou ao máximo fazê-lo. Podemos dizer que Nunes ter adormecido foi um acto livre, porque não foi compelido ― não foi forçado a adormecer "contra a sua vontade". Mas Silva ter adormecido não foi livre, porque ele foi compelido pela fadiga corporal a fazer o que desesperadamente não queria fazer, a saber, adormecer.
Os deterministas moderados consideram a ausência de compulsão, e não a ausência de causa, como o critério da liberdade de escolha. Em termos gerais, defendem que as pessoas agem livremente quando fazem o que querem e escolhem fazer e não agem livremente quando o que fazem é forçado ou compelido. Por outras palavras, de acordo com os deterministas moderados, uma vontade livre é simplesmente uma vontade não-compelida.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

OS ARGUMENTOS LIBERTISTAS

O Libertismo é a perspectiva de que pelo menos algumas das nossas acções são livres porque, na verdade, não estão causalmente determinadas. Segundo esta teoria, as escolhas humanas não estão constrangidas da mesma forma que outros acontecimentos do mundo. Uma bola de bilhar, quando é atingida por outra bola de bilhar, tem de se mover numa certa direcção a uma certa velocidade. Não tem escolha. As leis causais determinam rigorosamente o que irá acontecer. Contudo, uma decisão humana não é assim. Neste preciso momento, o leitor pode decidir continuar a ler ou parar de ler. Pode fazer qualquer uma destas coisas e nada o faz escolher uma delas. As leis causais não têm poder sobre si
Isto não é muito plausível. Ainda assim, esta forma de pensar foi defendida por diversos filósofos e propuseram-se vários argumentos a seu favor.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

AS PESSOAS SERÃO RESPONSÁVEIS PELO QUE FAZEM?

Em 1924, dois adolescentes de Chicago, Richard Loeb e Nathan Leopold raptaram e assassinaram um rapaz chamado Bobby Franks apenas para provar que conseguiam fazê-lo. O crime impressionou o púbico. Apesar da brutalidade do seu acto, Leopold e Loeb não pareciam especialmente perversos. Provinham de famílias ricas e eram ambos estudantes excelentes. Aos dezoito anos Leopold era o licenciado mais jovem na história da Universidade de Chicago, e, aos dezanove anos, Loeb era a pessoa mais nova que se tinha licenciado na Universidade de Michigan. Leopold estava prestes a entrar na Escola de Direito de Harvard. Como era possível que tivessem cometido um assassinato absurdo? O seu julgamento iria receber o mesmo tipo de atenção que o de O. J. Simpson, sessenta anos mais tarde.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O PROBLEMA DO LIVRE ARBÍTRIO

Supõe que estás na bicha de uma cantina e que, quando chegas às sobremesas, hesitas entre um pêssego e uma grande fatia de bolo de chocolate com uma cremosa cobertura de natas. Escolhes o bolo.
No dia seguinte perguntas-te: “Podia ter comido antes o pêssego” Que quer dizer isto? E será verdade?
Havia pêssegos quando estavas na bicha da cantina: e tiveste oportunidade de ter tirado antes um pêssego. Mas não é apenas isso que queres dizer. Queres dizer que podias ter tirado o pêssego em vez do bolo. Podias ter feito algo diferente daquilo que realmente fizeste. Antes de te teres decidido, estava em aberto se havias de tirar fruta ou bolo, e foi apenas a tua escolha que decidiu qual dos dois havias de comer.
Quando afirmas “podia ter comido antes o pêssego”, queres dizer que isso dependia apenas da tua escolha?
Mas isto ainda não parece suficiente: Não queres apenas dizer que, se tivesses escolhido o pêssego, teria sido isso que terias comido. Quando dizes “podia ter comido antes o pêssego”, também queres dizer que podias tê-lo escolhido – não há aqui ses nenhuns. Mas que quer isto dizer?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

12 Angry Men e a Importância da Argumentação

Pode-se dizer que argumentar é o acto de defender uma ideia, uma opinião, apresentando um conjunto de argumentos, razões que justifiquem essa tomada de posição. A argumentação tem como objectivo levarmos alguém, a acreditar numa tese, ideia que defendemos.
A argumentação tem e sempre teve, embora não nos apercebamos, uma enorme importância no nosso dia-a-dia. Somos muitas vezes obrigados, pelas circunstâncias, a apresentar as nossas razões, as justificações dos nossos comportamentos, das nossas acções e das nossas tomadas de posição. Há também situações nas quais não precisamos de argumentar ou até em que seria uma pura perda de tempo. Imaginemos, por exemplo, que pretendemos fazer ver a alguém que hoje neste preciso momento o tempo está chuvoso, quando uma simples observação mostra que está um sol avassalador, seria portanto inútil uma argumentação nesta situação, ou que pretendemos provar a alguém que um quadrado é uma figura geométrica de 5 lados. Nestas duas situações não há argumentação séria possível, a argumentação não consegue, nestes casos, ser mais credível que uma observação directa dos factos.
O mesmo, já não acontece noutras situações. E são essas que verdadeiramente importam à Filosofia enquanto exercício de argumentação. No caso dos exemplos anteriores, a situação tem resposta directa facilmente comprovada. Mas, quando se trata de argumentar relativamente às grandes questões que preocupam os seres humanos, a situação é diferente, uma vez que elas, na maior parte dos casos, recebem respostas possíveis, razoáveis, mas sempre discutíveis. Questões do tipo: ‘Devemos ou não permitir a clonagem de seres humanos?’, ‘Devemos ou não autorizar o aborto?’, ‘Devemos aceitar que pensem que existem raças superiores e raças inferiores?’ São, entre outras, questões relativamente às quais podemos apresentar um razoável conjunto de argumentos, a favor ou contra, uma vez que se trata de questões relativamente às quais ninguém pode ter certezas absolutas.
No Filme ’12 Homens e Uma Sentença’, é de notar o grande poder argumentativo de um dos jurados. Filme que conta a história de um jovem de dezoito anos acusado do homicídio do pai com uma arma branca, e que por isso está a um passo de ser sentenciado à cadeira eléctrica. Num total de doze votos ele é o único a favor da inocência do rapaz. Este jurado consegue assim, através de uma longa conversa onde este contra-argumenta, joga com os factos e com os testemunhos, chegar assim ao ponto de convencer um a um os onze jurados que votam contra a inocência do rapaz. Esta personagem demonstra o que é de facto a argumentação. Não se baseando unicamente nas opiniões dos outros, tentando formular uma opinião pessoal, julgando as ideias contrárias.
Neste Filme, embora antigo, é bem notória a importância da argumentação no dia-a-dia, e como esta é importante nomeadamente em determinadas profissões associadas à justiça, como foi o caso. Se não fosse a persistência do único apologista da inocência do rapaz, este teria sido declarado culpado e consequentemente lhe seria aplicada a respectiva sentença, sentença que alguns defendiam ser demasiado pesada dada a idade do réu.
Muitas das vezes as nossas opiniões são baseadas em preconceitos, como foi o caso de alguns dos jurados que declaravam culpado o rapaz sem sequer lhe darem o benefício da dúvida. Em muitos casos o preconceito, ideias defendidas por outros formadas antecipadamente sem fundamento sério ou análise crítica, é de certa forma inimigo da argumentação, pois não estamos a formular uma opinião própria, mas sim unicamente a aceitar uma teoria que nos foi transmitida sem pensarmos sequer se fazem ou não sentido.

Carlos Miguel Tomás nº 7 10ºC

O EGOÍSMO PSICOLÓGICO

A moralidade requer que sejamos altruístas. Até que ponto devemos ser altruístas? Talvez não tenhamos de ser heróicos, mas espera-se ainda assim, que estejamos atentos às necessidades dos outros pelo menos até certo ponto.
E as pessoas ajudam-se, de facto, entre si, de formas mais ou menos significativas. Fazem favores umas às outras. Constroem abrigos para os deserdados. Fazem voluntariado em hospitais. Doam órgãos e oferecem sangue. Mães sacrificam-se pelos filhos. Bombeiros arriscam a vida para salvar pessoas. Freiras passam a sua vida a trabalhar entre os pobres. A lista poderia continuar sem parar. Muitas pessoas oferecem dinheiro para apoiar causas nobres quando podiam guardá-lo para si. Mas há filósofos que defendem que ninguém é jamais verdadeiramente altruísta.
Para o egoísmo psicológico todas as acções humanas são motivadas pelo egoísmo. Podemos acreditar que somos nobres e abnegados, mas isso é apenas uma ilusão. Na verdade importamo-nos apenas connosco mesmos.
O comportamento “altruísta” está na realidade ligado a coisas como o desejo de ter uma vida mais significativa, o desejo de reconhecimento público, sentimentos de satisfação pessoal e a esperança de uma recompensa divina. Por cada acto de aparente altruísmo podemos encontrar uma maneira de justificá-lo e substituí-lo por uma explicação em termos de motivos mais egocêntricos.
Thomas Hobbes (1588-1679) pensava que o egoísmo psicológico estava provavelmente correcto. O se método consistiu em catalogar os tipos gerais de motivos, concentrando-se especialmente nos “altruístas”, e mostrando como todos podiam ser compreendidos em ternos egoístas. Uma vez completado este projecto, teria eliminado sistematicamente o altruísmo do nosso entendimento da natureza humana.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ACÇÃO BEM-SUCEDIDA E ACÇÃO FALHADA

Uma acção não é um acontecimento como um tremor de terra ou a queda de uma folha morta. A acção, tal como o acontecimento, gera uma modificação no mundo, mas esta modificação, por muito pequena que seja, jamais será anónima ou cega. Trata-se sempre da acção de alguém. Dizer que uma acção é intencional é também sublinhar que uma acção tem sempre uma finalidade. O agente não age por agir. Ele age por ou em vista de qualquer coisa, porque visa um resultado, porque o seu gesto tem um sentido, e o termo “sentido” deve ser entendido em todas as suas acepções, seja como percepção (órgão dos sentidos), como direcção (o fim visado) ou ainda como significação (aquilo que esse fim significa para o actor). Esse fim ou objectivo está incluído na nossa noção de acção.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

PARA QUE SERVE ARGUMENTAR?

Algumas pessoas pensam que argumentar é apenas expor os seus preconceitos de uma forma nova. É por isso que muita gente considera que argumentar é desagradável e inútil, confundindo argumentar com discutir. Dizemos por vezes que discutir é uma espécie de luta verbal. Contudo, argumentar não é nada disso.
Neste livro “argumentar” quer dizer oferecer um conjunto de razões a favor de uma conclusão ou oferecer dados favoráveis a uma conclusão. Neste livro argumentar não é apenas a afirmação de determinado ponto de vista nem uma discussão. Os argumentos são tentativas de sustentar certos pontos de vista com razões. Neste sentido, os argumentos não são inúteis; na verdade, são essenciais.