segunda-feira, 20 de setembro de 2010

MARCAÇÃO DOS TESTES


1º Período
1º teste - 03/Nov
2º teste - 14/Dez

2º Período
3º teste - 01/Março
4º teste - 05/Abri

3º Período
5º teste - 08/Junho

domingo, 19 de setembro de 2010

O COWBOY SEM LÓGICA


Quando um estudante de 14/15 anos inicia o estudo da filosofia tudo lhe parece estranho. Os problemas dão um enorme nó na cabeça e as respostas tardam em surgir. Os alunos têm de aprender, devagar, a desatar esses nós e devem começar a aprender a pensar por si próprios, usando a sua capacidade reflexiva.

Para desanuviar e tornar a filosofia mais lúdica, porque também tem esse lado, transcrevo uma anedota filosófica retirada do livro Platão e um Ornitorrinco entram num Bar…

Um velho cowboy entra num bar e pede uma bebida.

Quando está a beber o seu uísque, uma jovem senta-se ao seu lado. A mulher volta-se para o cowboy e pergunta-lhe:

- O senhor é um cowboy a sério?

- Bem, passei a vida inteira num rancho a criar cavalos, a reparar vedações e a marcar gado, por isso acho que sim – responde ele.

- Eu sou lésbica – diz ela. – Passo o dia inteiro a pensar em mulheres. Quando me levanto de manhã, penso em mulheres. Quando tomo duche ou vejo televisão, tudo parece fazer-me pensar em mulheres.

Algum tempo depois, um casal senta-se ao lado do velho cowboy e pergunta-lhe:

- O senhor é um verdadeiro cowboy?

- Sempre pensei que sim – responde ele -, mas acabo de descobrir que sou lésbica.

Algo de errado preside ao raciocínio do velho cowboy. Tenta descobrir qual usando o pensamento lógico. Deixa a tua resposta na caixa dos comentários.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O RETOMAR DA CAMINHADA


Vamos iniciar um novo ano lectivo e mais uma etapa da nossa vida vai começar, tal como este nosso blog que vai também entrar numa nova era. Por essa razão vamos republicar o primeiro texto que deu origem a este blog, editado já no ido 6 de Maio de 2008.

Em Busca de Sophia, vai ser o blog de Filosofia da Escola EB2,3/S de Oliveira de Frades.
O principal objectivo do presente blog é ser um precioso auxiliar nas aulas de Filosofia e um lugar de interactividade aluno-professor-saber. Com o blog é igualmente nossa pretensão diminuir o gasto da escola em papel, pois todos os documentos de apoio aos manuais adoptados irão estar sempre disponíveis on-line. Por essa razão o blog irá iniciar a sua actividade, de uma forma mais pujante, apenas no próximo ano lectivo, o que não impede que não se inicie já a postagem de algumas mensagens.
Mas não pretendemos que o blog se enclausure dentro da sala de aula de Filosofia. Queremos que ele seja uma janela aberta para a discussão de ideias em toda a comunidade escolar. Por essa razão, no próximo ano lectivo iremos periodicamente lançar temas para debate, principalmente na área da Ética Aplicada, esperando que as pessoas não se sintam constrangidas a manifestar a sua opinião fundamentada, publicando os seus comentários neste blog, que pretendemos ser de toda a escola.”

Bom trabalho para todos

domingo, 25 de abril de 2010

INTERESSE COLECTIVO VERSUS INTERESSE INDIVIDUAL


Como pode Hobbes defender que a racionalidade exige simultaneamente a guerra e a paz?

A resposta, creio, reside na distinção entre racionalidade individual e racionalidade colectiva. A racionalidade colectiva é aquilo que é melhor para cada indivíduo, partindo do pressuposto de que todos os outros agirão da mesma forma. As Leis da Natureza traduzem aquilo que é colectivamente racional. Podemos ilustrar esta distinção com um exemplo retirado de Jean-Paul Sartre. Consideremos um grupo de camponeses em que cada um cultiva a sua parcela de terreno, na vertente íngreme de um monte. Individualmente, apercebem-se de que poderiam aumentar a parte utilizável do seu terreno abatendo as árvores e semeando mais. Por isso, todos cortam as árvores. Mas, na tempestade seguinte a chuva arrasta o solo do monte, estragando a terra. Neste caso, podemos afirmar que a acção individualmente racional é cortar as suas árvores, por forma a aumentar a área de terra disponível para a agricultura. (O abate de árvores de uma só parcela de terreno não faz qualquer diferença significativa, no que diz respeito à erosão do solo.) Mas, colectivamente isto é um desastre, pois se todos cortarem as suas árvores, todas as parcelas ficarão inutilizáveis. Portanto, a acção colectivamente racional é deixar a maioria das árvores de pé – se não mesmo todas.

WOLFF, Jonahan, Introdução à Filosofia Política, 1ª edição, 2004. Lisboa: Gradiva, pp. 29-30

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A OMNIPOTÊNCIA DIVINA


Pode Deus fazer uma pedra tão pesada que Ele próprio seja incapaz de a levantar? Se pode, então não é todo-poderoso. Mas, se a não puder fazer, então também não será todo-poderoso. Em qualquer destes casos, temos uma coisa que Deus não consegue fazer. Assim, parece seguir-se que Deus (ou qualquer outra coisa, para o efeito) não pode ser omnipotente.
Apresenta-nos uma versão de um problema antigo, um problema que é incessantemente discutido por teólogos. Na sua formulação mais simples, diz o seguinte: pode Deus fazer uma pedra que seja simultaneamente grande e não grande? É óbvio que não. Logo, Deus não é omnipotente.

A resposta mais conhecida a esta questão, favorecida por S. Tomás de Aquino, é que temos de ter mais atenção quanto ao modo como entendemos o conceito de omnipotência. Ser omnipotente não é ser capaz de fazer seja o que for: é ser capaz de fazer tudo o que pode ser feito. Poderia Deus fazer uma pedra que fosse simultaneamente grande e não grande? Não. Mas o facto de Deus ser incapaz de o fazer não ameaça a omnipotência de Deus, uma vez que jamais poderia existir uma pedra que fosse ao mesmo tempo grande e não grande. De igual modo, se Deus é omnipotente, então é simplesmente impossível existir uma pedra tão grande que Ele não possa levantá-la. Assim, o facto de Deus não poder criar uma pedra tão grande que Ele não possa levantá-la não constitui um limite ao poder de Deus.
Vale a pena referir também que alguns filósofos – René Descartes, por exemplo - defenderam que Deus poderia fazer uma pedra que fosse simultaneamente grande e não grande! Segundo esta perspectiva, os poderes de Deus são completamente ilimitados, a ponto de Deus não estar sequer limitado pelas leis da lógica. Pode ser impossível, para nós, compreender como se consegue tal feito, mas esta incompreensão deve-se ao facto de as nossas mentes serem finitas, sendo a do Criador infinita.

GEORGE, Alexander (org), Que Diria Sócrates, 1ª edição, 2008. Lisboa: Gradiva, pp.183-184

quinta-feira, 22 de abril de 2010

OS TERRORISTAS E OS COMBATENTES DA LIBERDADE


Qual é a diferença entre um terrorista e um combatente da liberdade?

Ser terrorista é aquele (ou aquela) que pretende alcançar os seus fins aterrorizando inocentes, ou mediante a ameaça de uso de tal expediente, e combatente da liberdade é aquele (ou aquela) que se envolve numa luta para libertar a população de um governante tirânico. Houve alguns combatentes da liberdade que foram terroristas, houve alguns combatentes da liberdade que não foram terroristas, e houve alguns terroristas que não foram combatentes da liberdade. Se “terrorista” refere a pessoa que adopta um meio específico “combatente da liberdade” caracteriza a pessoa atendendo aos fins que ela persegue, é de esperar que ocorra cruzamentos e sobreposições entre as classificações.

No discurso político público contemporâneo, estas designações são menos utilizadas para descrever a realidade do que para exprimir a aprovação ou condenação política de quem as emprega. Chamar “combatente da liberdade” a uma pessoa é louvá-la; apontá-la como terrorista é condená-la liminarmente. É evidente que estes juízos morais têm cabimento, mas quando o discurso político consiste apenas em tais juízos, sem que os acompanhe uma justificação ponderada do uso que deles está a ser feito, então está garantida a degradação do próprio discurso.

Acrescente-se que estamos perante definições um tanto imprecisas, pelo que não se pode esperar que sejam de grande utilidade quando se trata de descrever a complexidade das situações do mundo real. Além do mais, são definições susceptíveis de induzir em erro, dado encorajarem a ideia de que a técnica de aterrorizar inocentes é principalmente utilizada por indivíduos singulares, e eventualmente por grupos relativamente pequenos, quando, na realidade, dispomos de dados mais que suficientes para argumentar que as mais notáveis exemplificações de práticas terroristas foram perpetradas por governos. O discurso político seria mais salutar se se abandonassem os rótulos, se se deixasse de olhar para o imenso e variado mundo através de fendas tão estreitas, e se se procurasse descrever as coisas directamente, com clareza, e com honestidade.

GEORGE, Alexander (org), Que Diria Sócrates, 1ª edição, 2008. Lisboa: Gradiva, pp.123-124